O relatório de 70 páginas da Polícia Federal (PF)
desclassificando as gravações de Sérgio Machado com José Sarney, Romero
Jucá e Renan Calheiros como prova de obstrução de Justiça é um marco no
festival de delações da Lava Jato. O sinal é que elas têm sido de enorme
utilidade para desvendar a incrível teia de corrupção no País, mas tudo
tem limite. Não é qualquer gravação, a qualquer hora, que deve ser
considerada e dar benefícios generosos aos autores.
Os acordos mais criticados são justamente os de Machado,
que passou dez anos desviando recursos na Transpetro, mas está numa boa
com os filhos milionários, e os dos irmãos Joesley e Wesley Batista,
que tiraram a sorte grande várias vezes no Brasil e corromperam centenas
de políticos, mas saíram ilesos e fazem a festa nos EUA.
A conclusão da PF é que as conversas de Machado com o
ex-presidente da República e os dois senadores são apenas isso...
Conversas. Não há provas de que as palavras foram seguidas de atos e que
eles efetivamente atuaram para criar dificuldades à Lava Jato e
obstruir a Justiça. Podem até ter feito, mas provas não há.
Logo, Machado
revelou-se inútil para as investigações, pelo menos em relação às
gravações, e isso leva a uma dúvida: o custo-benefício do acordo entre a
Procuradoria-Geral da República (PGR) e Machado valeu a pena? Se não, é
o caso óbvio de revisão dos benefícios dele e dos filhos, que operavam
os milhões da corrupção no exterior.
Texto: O Estadão
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